Ainda que às vezes fazer planos não seja fácil, pô-los em prática é um verdadeiro teste.
E tendo plena consciência disso, no dia seguinte à decisão de abrandar - o ritmo -, resolvi, por outro, lado começar a sério - os planos.
Um dos primeiros objectivos para este ano é encontrar um part-time para, com o dinheiro ganho, fazer a viagem dos meus sonhos. Pode parecer irrealista, difícil, mas afinal... os "gap years" são sobre isso mesmo.
Por isso, na segunda-feira e após um fim-de-semana a enviar currículos passei ao método tradicional - inscrevi-me no Instituto de Emprego e Formação Profissional.
Nunca entrara em nenhuma delegação do IEFP antes e certamente que a minha atitude o denunciou, pela maneira como as pessoas me encaravam.
Entrei de repente e estaquei, olhando em volta e tentando assimilar a quantidade de pessoas que tinha à minha frente. E por isso, o primeiro pensamento que tive foi: "Isto, é a crise; Acorda para a realidade.
Havia gente de todas as idades: mais velhas, mais novas com ar de escola secundária, possíveis colegas... enquanto esperava olhava-as uma a uma e interrogava-me sobre o que as levava a estar ali. Porque procuravam emprego, que histórias estariam por detrás de cada uma delas? Que necessidades sentidas em casa tentavam anular com a sua larga espera naquele lugar? Quanta esperança cada um traria dentro de si...
A determinado momento, um rapaz alto e da minha faixa etária conversava com uma das técnicas. Tinha os olhos vermelhos e percebi que acabara de ser despedido.
Por fim, chegou a vez da minha inscrição.
«Não contemplamos estágios na área de medicina e enfermagem. Diga-me, o que sabe fazer?» perguntou-me a funcionária.
Pergunta difícil para quem passou 6 + 12 anos sentada a ler livros!
Meia hora depois saí de lá uma desempregada oficial.
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