sexta-feira, 20 de setembro de 2013

20 anos em crise

Descobri recentemente a crise dos vinte-e-poucos anos.
Acho que estava já adormecida sob uma espessa capa de afazeres, mas foi desencadeada especialmente pelo final da universidade: durante anos e anos preparamo-nos para a chegada da graduação, o momento em que nos formamos… mas quem nos prepara para o que vem depois?

Por vezes imaginava que voltaria a viver em casa dos meus pais, que sairia da cidade que me acolheu durante aqueles anos tão gloriosos, mas todos esses cenários estavam inscritos num futuro incerto, e por isso irreal. Quando este se transformou em presente, porém, a força com que a nova realidade tomou conta do meu dia-a-dia foi maior do que esperava. E de um dia para o outro deixei de ser uma jovem universitária livre e feliz para passar a ser uma desempregada inexperiente e sem casa própria.
Descrição melodramática com um grande fundo de verdade.

Que somos nós afinal aos 20 anos? Imagino o ar trocista do meu pai se lesse esta questão. 
Dir-me-ia que somos muito jovens, que temos todo o futuro pela frente e que as preocupações existenciais que hoje nos agitam perderão em breve toda a sua importância. E que o Carpe Diem é uma fantasia, porque não sabemos quanto tempo ainda nos resta aqui.

Mas do outro lado, aqui no início da escadaria, estamos nós, jovens sem rumo, cuja procura do Santo Graal é uma busca de si próprio, cujos medos se erguem em sombras que por vezes ocultam o sol que, dizem, nasce para todos e os passos se dão na fronteira com areias movediças.


Vivemos na incerteza, que nos angustia. E ao mesmo tempo, no topo das escadas, tantos outros vivem na angústia da certeza do seu amanhã…

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Rumando

Estar em casa dos pais significa também o regresso à comida boa. Não "boa" no sentido nutricional, mas "booooa", saborosa, «hmm, tasty!»… como é por exemplo o pão que a mãe faz em casa, o fumeiro transmontano que o pai vai pondo na mesa, os docinhos de fim-de-semana…
Não querendo abdicar dessas maravilhas, fui procurar actividades de ginásio em grupo. E percebi que vou ter de alterar os meus doces hábitos de várias modalidades à escolha que intercambiava conforme a disposição com que acordasse. 
1º: Cycling, Jump, Step são quase as únicas disponíveis (body-combat?! body pump?! bollywood?! ballet para adultos?! yoga?! pilates?!)

2º: O Ginásio está caro, com mensalidades livres rondando os 40€. Fica ao mesmo preço de ginásios estrangeiros com o mesmo nível de instalações e modalidades.

Por outro lado, voltei à minha antiga escola de música.
Espero retomar as aulas de piano que tantas saudades deixaram.
Ainda aqui, teria a oportunidade de ir para o Conservatório. As mensalidades são de 80€ versus 50€ na escola de música. Falamos de 2h semanais.

Definitivamente, a necessidade de um part-time impõe-se. 
A questão é: como? 
Passei uma tarde em que todos me pediram dinheiro e curiosamente ninguém ofereceu. Faz reflectir.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A 1ª vez... na entrevista de emprego

Hoje foi O dia: tive a primeira entrevista de emprego. 

Depois de se certificarem que era maior de 17 anos (não é raro que me atribuam até menos 5 anos !) seguiram-se 15 minutos de explicação do serviço, que consiste em vendas porta-a-porta (D2D).
Estou familiarizada com o método, desde há largos anos, mas por mais confiante que tivesse acordado, quando naquele momento me imaginei a levar a cabo essa missão a perspectiva perdeu alguma excitação e ganhou muitas dúvidas. 
É que se realmente for escolhida e aceitar o emprego, como é que vou levar famílias a aderir a pacotes de televisão, internet e telefone quando isso é o que a maioria dos lares já possui hoje em dia? 
Com "bónus extra": estamos em crise, e a cidade é pequena. 
Abstive-me de colocar a questão… Acho que vou reler Dale Carnegie!
De todas as formas, algumas questões se levantam:
- até onde devo ir na procura de emprego?
- que investimento pessoal devo fazer? O máximo seria a resposta ideal, mas não há que esquecer que devo estudar ao mesmo tempo.
A minha máxima era que quem precisa está disposto a fazer tudo. 

Na sequências das mudanças dos últimos dias fiz o que a maioria de nós, mulheres, decide quando passa por situações semelhantes: uma visita ao cabeleireiro e mudança de look.
Porque nada melhor do que um corte e uma cor para nos sentirmos prontas a estrear!


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A 1ª vez... no IEFP

Ainda que às vezes fazer planos não seja fácil, pô-los em prática é um verdadeiro teste. 
E tendo plena consciência disso, no dia seguinte à decisão de abrandar - o ritmo -, resolvi, por outro, lado começar a sério - os planos. 

Um dos primeiros objectivos para este ano é encontrar um part-time para, com o dinheiro ganho, fazer a viagem dos meus sonhos. Pode parecer irrealista, difícil, mas afinal... os "gap years" são sobre isso mesmo.
Por isso, na segunda-feira e após um fim-de-semana a enviar currículos passei ao método tradicional - inscrevi-me no Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Nunca entrara em nenhuma delegação do IEFP antes e certamente que a minha atitude o denunciou, pela maneira como as pessoas me encaravam.
Entrei de repente e estaquei, olhando em volta e tentando assimilar a quantidade de pessoas que tinha à minha frente. E por isso, o primeiro pensamento que tive foi: "Isto, é a crise; Acorda para a realidade.

Havia gente de todas as idades: mais velhas, mais novas com ar de escola secundária, possíveis colegas... enquanto esperava olhava-as uma a uma e interrogava-me sobre o que as levava a estar ali. Porque procuravam emprego, que histórias estariam por detrás de cada uma delas? Que necessidades sentidas em casa tentavam anular com a sua larga espera naquele lugar? Quanta esperança cada um traria dentro de si...
A determinado momento, um rapaz alto e da  minha faixa etária conversava com uma das técnicas. Tinha os olhos vermelhos e percebi que acabara de ser despedido.

Por fim, chegou a vez da minha inscrição.
«Não contemplamos estágios na área de medicina e enfermagem. Diga-me, o que sabe fazer?» perguntou-me a funcionária. 
Pergunta difícil para quem passou 6 + 12 anos sentada a ler livros! 
Meia hora depois saí de lá uma desempregada oficial. 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O que nos move?




  Coincidência ou não, li hoje um artigo escrito por alguém que enfrentou uma "quarte life crisis" ou, como diríamos nós uma "crise dos vinte-e-tantos". 
E antes de explicar a importância de reencontrarmos as nossas paixões perdidas e os estímulos esquecidos desde há longos anos, abria o texto com a seguinte citação:

Don’t worry about what the world needs. Ask what makes you come alive and do that, because what the world needs is people who have come alive.” Howard Thurman

Porque na verdade, é com sonhos e motivações que o mundo anda para a frente! 



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Partida

Sou uma jovem licenciada e acabo de voltar para casa dos pais. 
Com 23 anos, e após 6 anos de curso (por vezes curtos, outras vezes longos), encontro-me ainda sem direito de exercer a minha profissão. E isso manter-se-à até iniciar uma formação especializada pós-graduada. 
Falo, é claro, da formação médica que requer hoje em dia um grau de Especialista. 

Decidi, porém, seguir o caminho incomum e fazer uma pausa de um ano entre estes dois períodos; chamemos-lhe uma “espécie-de” Gap Year. À portuguesa.
É que estivesse eu nos EUA estaria provavelmente a trabalhar num café, com planos para uma Roadtrip ao longo da Route 66, ou inscrita em acções de voluntariado algures pelo Louisiana.
Já neste “jardim plantado à beira-mar”, tive, antes de mais, de explicar aos pais que coisa é essa do Gap Year, e porque vou ficar um ano em casa enquanto os meus colegas preparam a fase seguinte.
 Pois bem: fiz um Pré-plano, apresentei-o com o Power Point (!), muni-me de algumas citações motivadoras e propus uma série de objectivos.
Após alguma argumentação, e um par de questões, aceitaram a ideia e hoje passei-a à acção.

A minha meta? 31 de Dezembro de 2014, preparada para iniciar o Ano Comum, e preferencialmente fora da casa dos pais.


Restam-me então 365 + 114 dias, perfazendo um total de 479 manhãs, tardes e noites.
Estou curiosa para saber até onde vou sobreviver.