sexta-feira, 20 de setembro de 2013

20 anos em crise

Descobri recentemente a crise dos vinte-e-poucos anos.
Acho que estava já adormecida sob uma espessa capa de afazeres, mas foi desencadeada especialmente pelo final da universidade: durante anos e anos preparamo-nos para a chegada da graduação, o momento em que nos formamos… mas quem nos prepara para o que vem depois?

Por vezes imaginava que voltaria a viver em casa dos meus pais, que sairia da cidade que me acolheu durante aqueles anos tão gloriosos, mas todos esses cenários estavam inscritos num futuro incerto, e por isso irreal. Quando este se transformou em presente, porém, a força com que a nova realidade tomou conta do meu dia-a-dia foi maior do que esperava. E de um dia para o outro deixei de ser uma jovem universitária livre e feliz para passar a ser uma desempregada inexperiente e sem casa própria.
Descrição melodramática com um grande fundo de verdade.

Que somos nós afinal aos 20 anos? Imagino o ar trocista do meu pai se lesse esta questão. 
Dir-me-ia que somos muito jovens, que temos todo o futuro pela frente e que as preocupações existenciais que hoje nos agitam perderão em breve toda a sua importância. E que o Carpe Diem é uma fantasia, porque não sabemos quanto tempo ainda nos resta aqui.

Mas do outro lado, aqui no início da escadaria, estamos nós, jovens sem rumo, cuja procura do Santo Graal é uma busca de si próprio, cujos medos se erguem em sombras que por vezes ocultam o sol que, dizem, nasce para todos e os passos se dão na fronteira com areias movediças.


Vivemos na incerteza, que nos angustia. E ao mesmo tempo, no topo das escadas, tantos outros vivem na angústia da certeza do seu amanhã…

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